Burnout 3 Takedown no PS2: destruição em alta velocidade e o melhor jogo de corrida arcade da geração
Burnout 3: Takedown
no PS2
Destruicao em alta velocidade e o melhor jogo de corrida arcade da geracao
Existia um jogo de PS2 que abria com um carro sendo destruido em camara lenta enquanto tocava uma musica punk a todo volume. Sem tutorial. Sem apresentacao. Direto no caos. Em 2004, Burnout 3: Takedown chegou as lojas brasileiras e mudou para sempre o que um jogo de corrida podia ser.
Enquanto Gran Turismo ensinava o jogador a respeitar as leis da fisica, Burnout ensinava a ignorar todas elas. Derrapar na contramao, provocar engavetamentos em serie, destruir rivais com um ombro a 280 km/h — isso nao era bug, era mecanica. Era recompensado. Era o ponto inteiro do jogo.
No Brasil, onde o PS2 dominou absoluto por quase uma decada, Burnout 3 circulou em copias originais nas Lojas Americanas, em pirataria nas feirinhas de Sao Paulo e na memoria afetiva de uma geracao inteira. Este e o seu dossia completo.
Como Burnout chegou ao Brasil
Em setembro de 2004, a Electronic Arts publicou Burnout 3: Takedown, desenvolvido pela Criterion Games. Nao era o primeiro da serie — Burnout 1 e 2 ja tinham saido — mas foi o terceiro que transformou o jogo em fenomeno de massa.
No Brasil, o PS2 era o console dominante. A Sony vendia o console com impostos embutidos e o preco cheio ficava em torno de R$699 em 2004, quando o salario minimo era R$260. Caro, mas onipresente. Estima-se que ate 2010 mais de 7 milhoes de unidades rodavam nos lares brasileiros entre originais e as versoes fabricadas localmente com licenca da Sony.
Burnout 3 custava em torno de R$79 nas grandes redes, como Americanas e Saraiva. Caro para a epoca. Isso explica o mercado paralelo: versoes piratas do jogo circulavam pela feirinha da Liberdade em Sao Paulo, no Uruguai Esporte Clube carioca e em qualquer CD-ROM shop de periferia que soubesse fazer mod no console.
Capa Original PS2 (NTSC-U)
Vermelho explosivo, carro destruindo-se em destaque. A EA sabia exatamente o que estava vendendo: puro caos cronometrado.
Modo Crash em acao
O Crash Mode transformava acidentes em quebra-cabecas de fisica: como causar mais dano com menos metal.
A trajetoria da serie no Brasil
Burnout 1: o ponto de partida
Lancado para PS2 e GameCube, quase sem marketing no Brasil. A mecanica de contramao e turbo criada pelo trafego era nova, mas a serie ainda buscava identidade. Chegou aqui por importacao e algumas unidades nas grandes redes.
Burnout 2: Point of Impact — a serie ganha corpo
Introduziu o Crash Mode pela primeira vez: modos propositalmente voltados a causar acidentes em espiral. Vendeu bem nas Americanas e foi o primeiro a virar febre nas lan houses brasileiras com segundo controle.
Burnout 3: Takedown — o pico absoluto
EA publica, Criterion executa. Takedowns viraram mecanica central: derrubar rivais carregava o turbo. A trilha sonora punk-rock foi licenciada com Audioslave, Avril Lavigne e Franz Ferdinand. Campeonatos multiplayer offline encheram salas em todo o Brasil.
Burnout Revenge: sequencia polida, porem menos corajosa
Adicionou o Traffic Check e trouxe mais consistencia, mas perdeu parte do frescor radical do 3. No Brasil seguiu sendo campeao de vendas, porem ficou permanentemente na sombra do antecessor na memoria afetiva.
Burnout Paradise: mundo aberto, outro conceito
Migracao para PS3/360 e mundo aberto. Dividiu opinioes no Brasil — muitos sentiram falta da estrutura de eventos do 3. Foi o ultimo Burnout classico, antes da serie entrar em hiato longo.
Os modos que definiram uma geracao
Burnout 3 nao era so uma corrida. Era um sistema de modos interligados que garantia dezenas de horas de progressao. Cada modo ensinava algo diferente sobre o caos controlado que era a proposta do jogo.
World Tour
O modo principal, com mais de 100 eventos divididos em categorias. Corridas normais, corridas eliminatorias, Road Rage e Crash Events. A progressao desbloqueia carros cada vez mais rapidos e frageis.
Crash Mode
Missoes de fisica pura: entrar numa intersecao e causar o maximo de dano em dolares. Cada cenario tinha uma solucao otima que exigia memorizar trafegas e angulos. Viciante como Tetris.
Road Rage
Sem linha de chegada. O objetivo era derrubar o maior numero de inimigos antes de o proprio carro ser destruido. Turbo infinito ao acumular Takedowns. Pura adrenalina arcade.
Multiplayer Split-Screen
Ate 6 jogadores no PS2 — embora o split com mais de 2 exigisse TV grande. Nas lan houses brasileiras virou ritual: quem montasse o campeonato de Road Rage dominava a tarde toda.
Por que critica e publico adoraram
Burnout 3 nao foi apenas sucesso de vendas. A imprensa especializada o recebeu com notas excepcionais. Confira o que os principais aspectos do jogo representavam na comparacao com os concorrentes da epoca:
No Metacritic, a versao PS2 atingiu nota 94. No GameSpy, recebeu 9.9 — uma das notas mais altas concedidas a um jogo de corrida na historia da publicacao. No Brasil, a revista SuperGamePower cobriu o lancamento com materia de capa em outubro de 2004.
Os carros que todo mundo queria desbloquear
A progressao do World Tour trazia carros cada vez mais poderosos. Os desbloqueaveis finais eram tao rapidos que exigiam reflexos absurdos. Esses eram os mais desejados nas salas de estar do Brasil em 2004 e 2005:
Burnout Special
O carro final desbloqueavel. Velocidade maxima, boost ultrarapido, destruicao garantida. Quem chegava aqui no World Tour tinha levado dias.
Oval Racer
Carro de pista americana adaptado para as ruas. Lento demais para boost de longa distancia, mas resistente o suficiente para Road Rage longo.
Sports Type 3
O favorito dos speedrunners e dos campeonatos multiplayer locais. Equilibrio perfeito entre velocidade e durabilidade.
Muscle Type 2
Pesado, brutalmente fisico. Ideal para derrubar rivais nos modos Takedown. Nao era o mais rapido, mas ganhava no contato.
Face Off Vehicles (Crispy & outros)
Carros secretos so desbloqueaveis ao vencer confrontos diretos (Face Off events). Cada um tinha estatisticas unicas fora do padrao das categorias normais.
Burnout 3 nao era um jogo de corrida disfarçado de jogo de destruicao. Era um jogo de destruicao honesto o suficiente para nunca fingir ser outra coisa.
Analise original da GamesTM, setembro de 2004
Burnout 3 no Contexto Brasileiro
Em 2004, o Brasil vivia o apice do PS2 como console de casa. A Sony tinha produtora local desde 2001 e os jogos EA chegavam pontualmente, mesmo que com markup de importacao. Burnout 3 nao foi localizado para portugues — assim como a maioria dos AAA da epoca — mas isso nao afastou o publico brasileiro.
Nas feirinhas de Sao Paulo, uma copia pirata rodando em PS2 com mod chip custava entre R$5 e R$8. A versao original nas Americanas saia por R$79. A diferenca explica em parte por que as vendas “nao oficiais” provavelmente ultrapassaram as oficiais no pais.
A cultura das lan houses de videogame — diferentes das lan houses de PC — teve em Burnout 3 um dos seus carros-chefe. Locais em bairros como Vila Madalena e Tatuape em SP cobigavam campeonatos informais com premios em dinheiro ou recarga de celular pre-pago. O jogo era perfeito para isso: partidas rapidas, multiplayer competitivo, regras intuitivas.
Dicas para o colecionador hoje
Verifique a versao do disco
Existem versoes PAL (Europa), NTSC-U (EUA) e NTSC-J (Japao). No Brasil circularam principalmente copias NTSC-U. A versao PAL tem tela 50hz e pode travar em TVs mais antigas sem saida RGB.
Preco atual no mercado brasileiro
Uma copia original completa com caixa e manual gira entre R$80 e R$140 em 2026, dependendo do estado. Copias loose (sem caixa) saem entre R$40 e R$65. Verifique o codigo gravado no centro do disco para confirmar autenticidade.
O disco arranha facil
Burnout 3 era muito jogado e os discos da epoca tinham revestimento mais fragil que os atuais. Exija fotos do verso do disco antes de comprar online. Arranhoes radiais superficiais sao menos graves; arranhoes concentricos perto do centro podem inviabilizar a leitura.
A trilha sonora no EA Trax
EA licenciou mais de 40 musicas para o jogo, incluindo Audioslave, Franz Ferdinand e Avril Lavigne. Em 2026, o jogo nao esta disponivel digitalmente em parte por causa do prazo dos contratos de licenca vencidos — o que torna a copia fisica ainda mais relevante para quem quer a experiencia original.
Versao Xbox vs PS2: qual colecionar?
A versao Xbox tem resolucao ligeiramente superior e loading mais curto. Para colecionar no ecossistema brasileiro, a versao PS2 e mais abundante e culturalmente mais relevante. A versao Xbox e mais rara no Brasil e por isso mais valorizada entre colecionadores especificos de Xbox.
Compatibilidade com PS2 Slim
Burnout 3 roda perfeitamente em todas as versoes do PS2, incluindo o Slim (SCPH-77xxx). PS3 com retrocompatibilidade de hardware (modelos 60GB e 80GB iniciais) tambem rodam sem problemas. Testado e aprovado.
Quem jogou, nao esquece
“Meu pai comprou o PS2 em 2004 e Burnout 3 foi o primeiro jogo. Eu devia ter uns 9 anos. Lembro que a gente montou campeonato de Road Rage com os primos no Natal. Ate hoje e o Natal mais barulhento que tive.”
“A lan house perto da minha escola em Belo Horizonte colocava Burnout 3 em dois TVs lado a lado nos fins de semana. Custava R$2 a hora. Gastei mais nessa sala do que em qualquer outro lugar na minha adolescencia.”
“Consegui o jogo de um amigo que comprou pirata na feirinha. Passei semanas no World Tour. Quando finalmente desbloqueei o Burnout Special, gritei no apartamento. Minha mae achou que eu tinha me machucado.”
A pista ainda esta aberta
Se voce tem um PS2 na prateleira e Burnout 3 nao esta na colecao, e hora de consertar isso. O mercado de retrogames brasileiro nunca teve tanta oferta de qualidade.
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