Need for Speed Most Wanted no PS2: radar, perseguição e o jogo que todo adolescente brasileiro queria zerar
Need for Speed
Most Wanted
no PlayStation 2
Radar, perseguicao policial e o jogo que todo adolescente brasileiro queria zerar nos anos 2000. A historia de como a Blacklist virou obsessao nacional.
Eram 2005, 2006. A lanhouse da esquina estava sempre lotada. E no meio de todas aquelas telas de Counter-Strike e Ragnarok, existia sempre uma maquina rodando um jogo diferente: aquele com o carro preto, a policia no seu calco e uma lista de rivais para derrubar. Need for Speed Most Wanted era isso: puro adrenalina embalada em DVD de PS2.
No Brasil, o jogo ganhou uma dimensao especial. Chegou num momento em que o PlayStation 2 era o console mais democrático do pais, presente em casa de classe media, em lanhouse de bairro, em quarto de adolescente que juntou mesada por meses. O apelo era imediato: carros que voce via na rua (ou queria ver), corridas ilegais, policia como antagonista e uma progressao que te prendia do comeco ao fim.
Este artigo conta a historia de como Most Wanted chegou aqui, por que a versao de PS2 era diferente das outras plataformas, o que tornava a Blacklist uma obsessao e por que, ate hoje, o nome Razor Callahan faz adolescentes dos anos 2000 serrarem os dentes.
Como Most Wanted chegou ao Brasil
Need for Speed como franquia ja era conhecida no Brasil desde os tempos de Underground (2003) e Underground 2 (2004), ambos sucesso absoluto em lan houses e nos primeiros PS2 que entravam no pais. A EA tinha acertado a formula: carros tunadoes, corridas noturnas e personalizacao excessiva eram tudo que o mercado jovem queria naquele momento.
Most Wanted veio em novembro de 2005 e mudou o tom. Em vez de neon e vinils de anime colados em Hondas, o jogo optou por uma estetica mais sombria e real. A cidade de Rockport era diurna, cinza, com chuva frequente. Os carros eram exoticos mas reconheciveis. E havia uma narrativa: voce chegava na cidade, perdia seu carro para o Razor numa corrida fraudada e precisava subir uma lista de 15 rivais para ter a revanche.
No Brasil, o jogo chegou pelas vias tradicionais: importadoras, lojas de games das grandes cidades e, claro, pelos famosos CDs piratas que circulavam em camelodromos de Sao Paulo e Rio. O preco oficial de uma copia fisica licenciada girava em torno de R$ 149, num pais onde o salario minimo era R$ 350 em 2006. Ou seja, quase metade de um salario minimo para ter a experiencia completa. Muita gente jogou pela primeira vez em versao nao licenciada. E se apaixonou da mesma forma.
PlayStation 2 Slim
A versao slim do PS2 foi o hardware mais democratico do Brasil no mid-2000s. Custava em torno de R$ 499 novo e era encontrada em lojas de eletronicos de todo o pais, sendo o principal lar de Most Wanted no mercado nacional.
NFS Most Wanted PS2
A versao de PS2 era diferente da de Xbox e PC em termos de graficos e alguns detalhes de corrida, mas mantinha a alma do jogo intacta: a Blacklist, o sistema de perseguicao em 5 niveis e o BMW M3 GTR como carro central da narrativa.
A historia da franquia ate Most Wanted
A EA lanca a franquia para 3DO e depois PC. O foco era realismo e carros licenciados. O Brasil mal sabia que existia.
Primeira grande entrada da franquia no PS2 com apelo massivo. No Brasil, ainda era produto de nicho caro. A pirataria comecava a democratizar o acesso.
O modo de tuning e os carros customizados explodem nas lan houses brasileiras. O jogo capturou o espirito da cultura de tunagem que chegava ao Brasil via filmes como Velozes e Furiosos (2001).
Com mundo aberto e mais carros, Underground 2 consolida NFS como a franquia de corrida dominante no Brasil. A EA percebe o potencial do mercado latino.
Lancado mundialmente em novembro, o jogo abandona o neon e abraca uma estetica mais crua. Policia, Blacklist e o BMW M3 GTR do Razor se tornam iconicos. No Brasil, a versao PS2 e a mais acessivel e popular.
O sequel direto de Most Wanted chega e e bem recebido, mas nunca atinge o mesmo apelo emocional. Carbon e considerado pelos fas brasileiros como “o jogo depois do jogo que a gente queria”.
A Blacklist: os 15 rivais que voce precisava destruir
A progressao do jogo era simples e viciante: voce começa no numero 15 e sobe ate o numero 1, o Razor. Cada rival tinha um apelido, um carro caracteristico e exigia derrotas em corridas, fugidas da policia e desafios de velocidade antes de ser enfrentado diretamente. Abaixo, os mais memoraveis.
O vilao principal. Roubou seu carro numa corrida armada. Era a razao de toda a jornada. Derrotar ele era o momento mais satisfatorio do jogo.
Brutal e agressivo, usando o Corvette como arma de ram. Frequentemente tentava jogá-lo contra paredes e trafego. Um dos mais frustrantes da lista.
Com um Gallardo amarelo chamativo, Ronnie era o aviso de que o final do jogo estava proximo. Velocidade pura, sem muita estrategia.
O Porsche de Ming marcava a entrada na parte dura da Blacklist. Muita gente precisou reiniciar a corrida mais de uma vez aqui.
Uma SUV enorme como carro de corrida? JV provava que qualquer coisa podia ser rapida em Rockport. Surpreendentemente competitivo.
O primeiro da lista. Acessivel, ensinava as mecanicas do jogo. Todo mundo lembra do alivo de vencer o Sonny pela primeira vez.
O sistema de perseguicao que mudou o genero
Antes de Most Wanted, perseguicoes policiais em jogos de corrida eram um detalhe, uma mecanica secundaria. A EA transformou isso num sistema completo com cinco niveis de alerta, cada um mais brutal que o anterior. E o Brasil entendeu isso de um jeito muito particular.
O Nivel 1 era quase um aviso educado: um viatura atras de voce, facilmente ignorada. O Nivel 3 ja trazia helicopteros. O Nivel 5, o maximo, significava roadblocks em toda rua, spike strips no asfalto e perseguicao sem tregua. A sensacao de fugir do Nivel 5 e chegar a uma saida de perseguicao sem ser detido era eletrizante.
O Heat Level tambem acumulava entre sessoes. Quanto mais voce corria, mais a policia ficava ciente do seu carro especifico. Isso forcava o jogador a usar diferentes veiculos ou a escapar limpo das perseguicoes antes de voltar pras corridas. Era um loop de tensao que poucos jogos conseguiram replicar com a mesma eficacia.
“Voce nao zerava Most Wanted. Voce sobrevivia a ele. A policia nao era um obstaculo, era o jogo inteiro.”
Comentario de fas em forum de retrogaming, 2023Por que a versao PS2 era diferente
Most Wanted no PS2 rodava a uma resolucao menor que nas versoes Xbox e PC, e com menos detalhes nos cenarios. Mas o que muita gente nao sabe e que a versao PS2 tinha ajustes especificos de IA policial e fisica que a tornavam, em alguns aspectos, mais equilibrada para progressao casual.
O PS2 tambem era o hardware que a maioria dos brasileiros tinha em casa. Nao havia comparacao possivel com a versao PC ou Xbox, porque a maioria simplesmente nao tinha acesso a essas plataformas. Most Wanted no PS2 era, para o Brasil, a experiencia definitiva por questao de realidade economica.
Curiosidade: a versao PS2 nao tinha suporte a widescreen nativo. A grande maioria das TVs brasileiras da epoca era 4:3, o que tornava isso irrelevante. A imagem esticada em TVs modernas e uma das marcas da nostalgia de jogar essa versao hoje.
Dicas para quem quer voltar a jogar hoje
Quem viveu, nunca esqueceu
Eu e meu irmaos tinhamos uma regra: quem perdesse uma corrida cedia o controle. Most Wanted virou um torneio familiar. Quando cheguei no Razor depois de semanas, todo mundo parou o que estava fazendo pra assistir. Foi tipo uma final de Copa.
Eu alugava o jogo toda semana na videolocadora, porque nao tinha como comprar. Toda sexta devolvia com raiva porque nao terminava a semana com tempo suficiente. Quando meu pai me deu de aniversario, fui la fechar tudo sem sair do quarto por dois dias.
Ate hoje quando escuto o soundtrack do jogo me vem aquela sensacao de perseguicao de Nivel 5, coracao disparado, tentando chegar numa garagem antes da policia cercar. Nenhum jogo de corrida depois de Most Wanted me deu isso de novo.
O radar nunca
para de girar
Se voce viveu essa epoca ou quer entender porque esse jogo e tao amado, compartilha com alguem que tambem correu muito da policia em Rockport.
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