Clock Tower no PS1: o terror point-and-click que chegou quietinho ao Brasil e hoje é raridade absoluta
Clock Tower no PS1:
terror point-and-click
que virou raridade
Chegou quietinho, sem campanha de marketing, sem publicidade nas revistas. Hoje, o exemplar completo passa de R$ 1.200 nos grupos de colecionadores. Entenda por que.
Em 1997, enquanto a Capcom bombardeava bancas e locadoras com a campanha do Resident Evil, um outro jogo de terror chegava ao Brasil pela porta dos fundos. Clock Tower, desenvolvido pela Human Entertainment, era diferente de tudo que o mercado brasileiro tinha visto: sem tiros, sem combate direto, sem barra de vida chamativa. Voce fugia. Voce se escondia. E voce rezava para o Scissorman nao te encontrar.
A versao de PlayStation, lancada no Japao em 1995 e chegando aos Estados Unidos e ao Brasil na segunda metade de 1997, era um port do original de Super Famicom com elenco de personagens redesenhado, dublagem em ingles e um sistema de pontuacao que determinava qual dos nove finais diferentes voce desbloquearia. Nao era um lancamento pequeno, tecnicamente falando. Mas no Brasil, sumiu nas prateleiras antes de qualquer um perceber.
Hoje, encontrar um Clock Tower de PS1 com caixa, manual e disco em bom estado eh uma das cacadas mais concorridas entre colecionadores de survival horror no pais. Este artigo conta a historia completa desse jogo e explica, com numeros reais do mercado atual, por que ele vale cada centavo que custa.
A Historia do Clock Tower no Brasil
O conceito nasce no Japao
Hifumi Kono, diretor na Human Entertainment, concebe um jogo de terror onde o jogador nao luta. A influencia declarada eh o filme italiano “Phenomena” de Dario Argento, de 1985, que apresenta uma jovem perseguida por um assassino com tesourao. A premissa e simples: voce foge ou morre.
Lancamento no Super Famicom
Clock Tower chega ao Super Famicom exclusivamente no Japao em setembro de 1995. A Human Entertainment aproveita os ultimos anos do console para entregar um survival horror point-and-click que choca os jogadores japoneses. O Scissorman se torna icone instantaneo do genero.
Port para PlayStation e chegada ao Ocidente
Human Entertainment relanca o jogo para o PlayStation com graficos aprimorados, elenco ocidentalizado e dublagem em ingles. Pela primeira vez, o jogo recebe distribuicao nos Estados Unidos pela Agetec. O Brasil recebe copias pela rede de importadoras paulistanas, sem distribuicao oficial pela Sony Brasil. O preco nas lojas girava em torno de R$ 85 a R$ 110, equivalente a quase 20% do salario minimo de 1997 (R$ 112).
Clock Tower 2 e o esquecimento brasileiro
Com a chegada de Clock Tower II: The Struggle Within ao PS1 em 1998, a serie tenta se consolidar. No Brasil, o segundo jogo passa ainda mais despercebido que o primeiro. As locadoras, que poderiam ter dado visibilidade, nao estocaram o titulo. Sem boca a boca, os dois jogos desapareceram das prateleiras em silencio.
Era dos emuladores e redescoberta
Com o crescimento dos emuladores de PS1 no Brasil entre 2001 e 2005, muitos jogadores brasileiros descobriram Clock Tower pela primeira vez em versao pirata ou emulada. Esse contato criou uma geracão de fas que, anos depois, passaria a buscar o original fisico como objeto de desejo de colecao.
Valorizacao acelerada no mercado brasileiro
A partir de 2015, com a explosao dos grupos de retrogaming no Facebook e depois no WhatsApp, Clock Tower de PS1 comeca a aparecer em leiloes e negociacoes a precos crescentes. Em 2020, um exemplar CIB em bom estado ja ultrapassava R$ 400. Em 2026, o valor medio para CIB autentico supera R$ 1.200 nas plataformas especializadas.
O Jogo em Duas Faces
Clock Tower PS1 EUA
Distribuida pela Agetec em 1997, esta e a versao que chegou ao Brasil via importadoras. Caixa com arte em tons de vermelho e preto, manual bilíngue ingles/espanhol. E a versao mais encontrada no mercado nacional, mas ainda assim escassa. Disco costuma aparecer sem caixa a R$ 180-280.
Clock Tower SNES Japones
A versao original de 1995, exclusiva do mercado japones. Interface em japones, elenco com nomes diferentes. Para colecionadores brasileiros que tambem colecam SNES japones, esta versao e ainda mais rara e valorizada. Um exemplar CIB em bom estado no Japao gira entre 8.000 e 12.000 ienes.
Todas as Versoes: o que Cada Uma Vale
Clock Tower EUA
Versao mais comum no Brasil, importada via SP e RJ em 1997-1998. Mais facil de encontrar, mas ainda escassa CIB.
R$ 180-480Clock Tower CIB
Com caixa, manual e disco em bom estado. O Santo Graal para colecionadores de survival horror. Valor medio em 2026.
R$ 900-1.400Clock Tower SNES JP
Original japones de 1995. Interface em japones, elenco diferente. Rarissimo no Brasil, aparece ocasionalmente em lotes de importacao.
R$ 600-1.200Clock Tower PC JP
Versao para Windows 95 lancada no Japao em 1996. Praticamente inexistente no Brasil. Curiosidade para colecionadores avancados.
R$ 300-600Clock Tower Europa
Versao europeia com manual em varios idiomas. Aparece raramente em grupos brasileiros vindos de colecoes de europeus que emigraram. Versao bem conservada e valorizada.
R$ 400-750Apenas Disco
O caso mais comum: disco sem caixa e sem manual. Funcional para jogar, mas valor de colecao bem inferior. Boa entrada para quem quer ter o fisico sem gastar tanto.
R$ 120-220Eu comprei Clock Tower em 1997 por uns 90 reais numa importadora da Galeria do Rock. O dono me olhou estranho quando pedi. Disse que tinha dois e que nao saiam. Hoje aquele disco vale mais do que muita coisa que eu paguei caro na epoca.
Eduardo M., 44 anos, Sao PauloPor que Clock Tower e tao raro no Brasil?
A ausencia de distribuicao oficial pela Sony Brasil foi o fator principal. Todos os exemplares que chegaram ao pais vieram por importadoras independentes, especialmente as concentradas na Galeria do Rock em Sao Paulo e no Saara no Rio de Janeiro. Essas lojas compravam lotes pequenos, de 20 a 50 unidades, e Clock Tower nao era titulo prioritario.
Sem marketing, sem materia em revistas como VideoGame, SuperGamePower ou Acao Games, e sem presenca nas locadoras maiores, o jogo simplesmente nao existia para a maioria dos jogadores brasileiros da epoca. Quem descobriu foi por acaso, por recomendacao de amigo ou porque era o tipo de jogador que vasculhava importadoras atras de algo diferente.
Esse historico de distribuicao minima explica o numero total de unidades no mercado nacional: estimativas de colecionadores veteranos sugerem que menos de 800 a 1.000 copias autenticadas da versao PS1 circulam em maos brasileiras hoje. E um numero pequenissimo para um pais com o mercado de retrogaming que o Brasil tem em 2026.
Dicas Para Colecionadores
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Verifique a region code no disco: a versao americana leva “SLUS-00497” na parte interna do CD. Qualquer outro codigo indica versao diferente, que pode valer mais ou menos dependendo do mercado.
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Caixa autentica tem spine card: a versao americana original tem o titulo impresso na lombada da caixa com tipografia especifica. Copias e reprints costumam ter lombada em branco ou com impressao caseira de qualidade inferior.
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Manual completo faz diferenca de R$ 300+: encontrar a versao completa com manual em bom estado e significativamente mais dificil que achar so o disco. Um CIB com manual em estado 8/10 pode valer 40% a mais que o mesmo conjunto com manual danificado.
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Cuidado com reproducoes: desde 2022, reproducoes de discos de PS1 raros aumentaram no mercado brasileiro. Teste o disco num PS1 real: titulos originais da Agetec carregam mais lentamente que reproducoes gravadas em CD-R comum.
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Disco solto e bom para jogar, ruim para investir: se voce quer jogar Clock Tower no hardware original, um disco solto cumpre o papel a preco razoavel. Se o objetivo e colecionar ou revender, so faz sentido para CIB ou pelo menos com caixa.
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Acompanhe grupos especializados: os melhores negócios saem em grupos fechados de survival horror no WhatsApp e Discord, nao em Mercado Livre. Colecionadores preferem vender entre si para garantir que o item vai para quem vai cuidar bem.
Quem Viveu Conta
“Eu alugava Clock Tower na unica locadora de SP que tinha o jogo. A moça na frente nao sabia nem o nome do jogo, me entregou a caixa com cara de ‘que e isso?’. Eu joguei umas 6 vezes ali antes de comprar o meu. Hoje esse disco vale mais que o PS1 que eu usei pra jogar.”
“Descobri Clock Tower num emulador em 2003 e fiquei obcecada. Passei anos atras do original fisico. Encontrei em 2019 num bazar de retrogaming em Belo Horizonte por R$ 80. Nao acreditei. Hoje guardo com cuidado maior do que a maioria das coisas que tenho em casa.”
“Tenho Clock Tower CIB desde 1998. Comprei na importadora do meu tio no centro de Curitiba. Passei anos vendo o preco subir e nunca vendi. Tem oferta hoje que o pessoal oferece R$ 1.100 puro. Eu recuso. Algumas coisas nao tem preco, sabe.”
Tem algo raro na sua prateleira?
Clock Tower e so um dos muitos jogos do PS1 que chegaram quietinhos ao Brasil e viraram raridade absoluta. Continue no CheckPointed e descubra o que mais pode estar se valorizando na sua colecao.
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