Twisted Metal no PS1: destruição, caos e o jogo que ninguém sabia que queria até jogar
Twisted Metal:
Destruicao, Caos e o
Jogo que Ninguem Sabia
que Queria
Como uma arena de demolição com carros armados virou um dos maiores fenômenos do PlayStation 1 e deixou uma marca permanente na memória afetiva dos jogadores brasileiros
Era 1996 e a locadora do bairro tinha uma fila diferente das outras. Não era para alugar um título de aventura ou RPG. Era para pegar Twisted Metal, aquele jogo de carros explodindo que ninguém sabia exatamente o que era, mas todo mundo queria experimentar. O PlayStation ainda era novidade no Brasil, chegando pela Playtronic com um preço proibitivo, e aquela caixa preta com o palhaço sinistro na capa prometia algo que nenhum outro jogo entregava.
A proposta era absurda na simplicidade: dirija, destrua e sobreviva. Sem enredo complexo, sem mapa aberto pra explorar, sem colecionáveis escondidos em cada canto. Só você, seu carro armado e o caos total de uma arena. E funcionou de um jeito que os próprios criadores, a SingleTrac, provavelmente não anteciparam. O jogo virou fenômeno, e a série durou mais de duas décadas.
Esse artigo conta a história completa: de onde veio a ideia, como chegou ao Brasil, por que Sweet Tooth virou ícone pop, e por que Twisted Metal 2 ainda aparece em conversas entre retrogamers veteranos como um dos melhores momentos da era PS1. Vem com a gente.
A Origem: SingleTrac e o Pitch Improvavel
A SingleTrac foi fundada em 1994 em Salt Lake City, Utah, por ex-funcionários da Atari Games. O estúdio tinha uma visão clara: criar jogos que explorassem o hardware 3D emergente de um jeito que nenhum outro developer estava explorando. O resultado do primeiro brainstorm foi uma ideia que soava maluca em palavras, mas funcionava na tela: um torneio de demolição com veículos armados pesados, num mundo pós-apocalíptico, com personagens excêntricos cada um carregando um desejo secreto a ser concedido pelo misterioso Calypso.
A Sony Interactive Entertainment, recém-lançada com o PlayStation original, precisava de títulos que demonstrassem o poder do hardware. Twisted Metal tinha exatamente o perfil: gráficos 3D, explosões, velocidade e som impactante. O jogo foi desenvolvido em tempo recorde, de aproximadamente 10 meses, e chegou às lojas americanas em novembro de 1995 como um dos títulos de lançamento do PS1.
No Brasil, o caminho foi mais tortuoso. O PlayStation chegou oficialmente pela Playtronic em 1996, com preço de tabela na faixa dos R$600, o equivalente a mais de três salários mínimos da época. Twisted Metal 1 ficou restrito às locadoras e ao mercado cinza por um bom tempo, mas o segundo jogo da série mudou tudo.
Linha do Tempo: Da Arena ao Icone
SingleTrac e a ideia maluca
Ex-funcionários da Atari fundam a SingleTrac e começam o desenvolvimento de um jogo de demolição em 3D para o PlayStation da Sony. O conceito de veículos armados com drivers excêntricos e um torneio sobrenatural surge nos primeiros meses de trabalho.
Twisted Metal chega ao PS1
Lançado nos EUA em novembro como título de lançamento do PlayStation. Apesar de bugs e limitações técnicas, o conceito impressiona. Sweet Tooth, o motorista palhaço do sorvete blindado, já aparece e vai se tornar o mascote não oficial de toda a série.
Brasil descobre o jogo nas locadoras
Com o PlayStation chegando oficialmente via Playtronic, Twisted Metal começa a circular pelas locadoras brasileiras. O jogo vira uma das grandes atrações das sessões de sábado à tarde, especialmente pelo modo de dois jogadores em tela dividida.
Twisted Metal 2 e a virada de qualidade
Lançado em outubro nos EUA, o segundo jogo refina tudo: mais personagens, arenas maiores (incluindo Paris e Moscou), trilha sonora pesada, e modo split-screen polido. No Brasil, chegou poucos meses depois e virou a referência definitiva da série.
SingleTrac sai, a Sony continua
A Sony compra os direitos da franquia mas a SingleTrac segue independente. Os próximos jogos, Twisted Metal III e 4, são desenvolvidos por outra equipe (989 Studios) e recebem recepção muito mais fria da crítica e dos fãs, que sentiam a ausência da essência original.
Twisted Metal: Black e o retorno ao PS2
Com David Jaffe de volta como designer criativo, Black ressuscita a serie no PlayStation 2 com visual sombrio, narrativa mais elaborada e jogabilidade refinada. No Brasil, já havia PS2 de mercado paralelo circulando, e o jogo virou hit nos lan houses da época.
Twisted Metal 2 (1996)
A versão definitiva da era PS1. Arenas destrutiveis, 12 personagens jogaveis e modo cooperativo que definiu noites inteiras nas locadoras brasileiras.
O melhor da serie
Twisted Metal: Black (2001)
A releitura sombria no PS2, com David Jaffe no comando. Considerado por muitos fa o pico tecnico e narrativo da franquia, chegando quando o PS2 ja dominava o mercado paralelo brasileiro.
Pico do PS2Os Veiculos: Personagens Antes de Serem Carros
O que diferenciava Twisted Metal da concorrência não era só a mecânica. Era a galeria de personagens. Cada veículo tinha um motorista com história e um desejo específico a ser realizado pelo enigmático Calypso caso vencesse o torneio. Era narrativa mínima, mas suficiente para criar identificação. Você não escolhia um carro. Você escolhia um personagem.
Sweet Tooth
O caminhão de sorvete com palhaço em chamas no teto. Mascote não oficial da franquia e o personagem mais icônico. Seu desejo no TM2 é reencontrar a cabeça que perdeu.
Crimson Fury
O carro mais rápido e manobrável do TM2. Favorito dos jogadores que priorizavam velocidade sobre firepower. Difícil de controlar, devastador nas mãos certas.
Ambulance
Tanque disfarçado de ambulância. Altíssimo dano, baixíssima velocidade. O veículo dos jogadores pacientes que preferiam absorver dano e contra-atacar com força bruta.
Roadkill
Equilíbrio perfeito entre velocidade e armamento. O carro indicado para iniciantes, com stats balanceados que funcionavam em todas as arenas do TM2.
Outlaw 2
A viatura policial. Popular entre os jogadores brasileiros por ser fácil de identificar e ter um special attack eficaz no mid-range. A jogadora Shelia ficou memorável.
Darkside
O caminhão semi-reboque. O personagem secreto de TM2, desbloqueável. Absurdamente tanky, especial de missil de rasteiro que vasculhava o chão. Overpowered.
Não tinha manual. Não tinha internet pra ver dica. Você descobria os specials errando, errando e errando de novo na locadora enquanto o tempo corria. E essa descoberta era parte do prazer.
Sobre a cultura de descoberta dos jogos de PS1 nas locadoras brasileiras dos anos 90
Twisted Metal e o Brasil dos Anos 90
O PlayStation chegou ao Brasil em 1996 com o preço de tabela da Playtronic na faixa dos R$600, o que representava mais de três salários mínimos num país que saía da hiperinflação poucos anos antes. Comprar o console era luxo de poucos. Mas alugar o jogo na locadora era outra história.
Twisted Metal 2 chegou nas locadoras brasileiras em 1997 e rapidamente virou um dos títulos mais disputados. A locação custava em torno de R$3,50 a R$5 por 24 horas, e as sessões de dois jogadores em tela dividida tornavam o jogo absurdamente social. Não era raro duas famílias de vizinhos se reunirem para jogar, numa dinâmica que hoje a gente chama de “couch co-op” mas que na época era só diversão normal de sábado.
O fato de não ter texto pesado, diálogos complexos ou mecânicas de RPG que exigissem manual tornou Twisted Metal especialmente acessível. Era intuitivo: você via a arena, via os inimigos, apertava botão e entendia tudo em dois minutos. Esse perfil de jogo imediato, junto com o apelo visual das explosões em 3D, fazia dele um dos grandes títulos para demonstrar o PlayStation para visitas.
No mercado paralelo, que dominava a distribuição de jogos de PS1 no Brasil, Twisted Metal 2 era um dos mais copiados. A grande ironia é que essa pirataria massiva contribuiu para a longevidade afetiva do título: mais brasileiros tiveram acesso a ele do que os números oficiais de venda sugerem.
Por que TM2 envelheceu melhor que TM1 no Brasil?
O primeiro Twisted Metal chegou ao Brasil principalmente via locadoras que importaram versões americanas ainda em 1996, mas era caro e raro. O TM2 foi lançado quando o mercado paralelo de PS1 já estava estruturado no Brasil, o que facilitou a distribuição. Além disso, TM2 corrigiu os problemas técnicos do original: framerate mais estável, arenas maiores e mais variadas, e o modo split-screen polido que funcionava sem travamentos. O resultado é que a memória afetiva da maioria dos jogadores brasileiros é ligada ao segundo jogo, não ao primeiro.
Outro fator: Twisted Metal 2 tinha arenas internacionais, incluindo Paris, Moscou e até uma arena no Polo Norte. Para jogadores brasileiros que raramente viajavam, havia algo especialmente satisfatório em destruir a Torre Eiffel num videogame. Era espetáculo puro, num momento em que o 3D ainda parecia magia.
Dicas para o Colecionador
-
Verifique o CD antes de comprar Twisted Metal 2 circulou muito em cópias no Brasil. Um original tem o logo Sony na borda interna do disco e gravação diferente da cópia queimada. Luz natural revela a diferença na camada refletiva.
-
CIB vale muito mais que Loose Um TM2 original com caixa, manual e disco em bom estado chega a valer 4x mais que só o disco. Muitas caixas foram descartadas pelos donos na época. CIB genuíno é raro e valorizado entre colecionadores.
-
Atencao ao TM: Black no PS2 Twisted Metal: Black teve lancamento oficial pela Sony no Brasil para PS2 em uma tiragem reduzida. Uma copia com caixa em portugues e selo de garantia brasileiro e um achado raro e valorizado.
-
Preco justo em 2026 TM2 loose original: entre R$60 e R$100. CIB com manual: R$200 a R$380 dependendo do estado. TM1 original (mais raro no Brasil): R$120 a R$180 loose. Desconfie de precos abaixo de R$40 para qualquer versao original.
-
Onde encontrar Grupos de Facebook de retrogames brasileiros, OLX com filtro de São Paulo e Curitiba, e feiras de retrogames em São Paulo (Feira do Rolo, eventos da RGC) costumam ter unidades em bom estado. Evite eBay por questao de custo de frete e importacao.
-
Limpeza do disco Discos de PS1 com leve oxidacao na borda podem ter leitura comprometida. Paninho de microfibra do centro para fora (nunca circular), nunca produto abrasivo. Para riscos profundos, serviços de polimento de CD ainda existem em lojas especializadas de Sao Paulo.
Memorias de Quem Estava La
Minha mae alugava o PS1 inteiro lá na Video Bom Jesus todo sábado. Twisted Metal 2 era o jogo que mais pedíamos. Jogava com meu primo no split-screen e o negócio virava briga de verdade. Até hoje quando vejo aquele palhaço me dá nostalgia.
Trabalhou numa locadora em 97 e 98. Twisted Metal 2 era um dos três jogos que ficavam sempre reservados. As pessoas deixavam nome numa listinha pra garantir o fim de semana. Nunca vi jogo criar fila assim, nem FIFA da época chegava perto.
Demorei meses pra descobrir os golpes especiais de cada personagem porque nao tinha manual e a internet era cara demais. Fui anotando em caderno o que funcionava. Quando finalmente aprendi o special do Sweet Tooth, me senti o jogador mais poderoso do mundo.
A Arena Ainda Esta Aberta
Twisted Metal nunca saiu completamente de moda. A serie voltou ao PS3, ganhou série na Netflix, e os títulos clássicos são sempre lembrados quando o assunto é o melhor do PS1. Confira mais sobre a era PlayStation no CheckPointed.



Publicar comentário